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sábado, 14 de maio de 2011

AYRTON SENNA FOREVER - 17 ANOS SEM AYRTON SENNA

AYRTON SENNA DA SILVA, nascido no dia 21 de março de 1960. Morto, no dia 1º de maio de 1994, durante o GP de San Marino, em Ímola. Senna foi um dos melhores pilotos de todos os tempos. Tinha a garra dos campeões, garra esta que parece faltar a todos os pilotos brasileiros que o seguiram. 



PILOTO
A imagem vitoriosa deste brasileiro, considerado um dos maiores esportistas da história, é reconhecida nos quatro cantos do mundo, seja por seu talento excepcional e por sua determinação impressionante, ou por desempenho quase mágico. É um mito do automobilismo mundial e considerado um dos melhores de todos os tempos.
Tal grandiosidade prematuramente reconhecida, quando Ayrton, aos 4 anos de idade pegou no volante pela primeira vez, marcou o início de uma história maravilhosa de sucesso, que eventualmente incluiria 41 vitórias na Fórmula 1, 65 pole positions e 3 campeonatos mundiais.
Ao vestir o macacão, transpirava um equilíbrio sereno e se integrava ao carro para sentir cada reação na pista, fazendo manobras inacreditáveis, dignas de um perfeccionista.
A violência e a exatidão das pistas nunca assustaram Ayrton Senna. Ele se transformava em potência superando todos os desafios sempre em busca da vitória.
Enquanto alguns disseram que Ayrton era um homem sem medo, Senna aliava a sua grande habilidade na pista à sua religiosidade e dedicação, cujas motivações permitiram -lhe buscar o equilíbrio, mesmo nos circuitos mais complicados e sair vitorioso.







PESSOA
Longe das pistas, Ayrton Senna era uma pessoa normal. Se é que um ídolo possa ter vida normal. Depois de cumprir os compromissos com a equipe, imprensa, patrocinadores e fãs, procurava sair rapidamente dos autódromos. Destino: Brasil. Cidade: São Paulo.
Em São Paulo, transformava-se no competente empresário que cuidava dos negócios com a mesma dedicação e preocupação que tinha na F1, como pode ser visto ao olharmos para o sucesso das marcas que criou: o personagem Senninha e a Marca Senna.
Ayrton tinha orgulho de ser brasileiro. E queria fazer mais pelo país. Lançou a semente para a criação do Instituto Ayrton Senna que atende milhares de crianças e jovens em todo Brasil.
Fez muitas viagens com familiares, amigos e namoradas para vários pontos do planeta. As férias eram sagradas. Dava-se ao luxo de se afastar das pistas e curtir o mar de Angra dos Reis, refúgio que adorava. Além disso, adorava praticar esportes. Era um esportista nato que mostrava muita habilidade para as corridas a pé, tênis, bicicleta, jet sky e muitos outros. Só não conseguia jogar futebol, apesar de ter tentado algumas vezes.
Aqui você poderá conhecer Ayrton Senna fora das pistas. Seus amigos, sua família, seus hobbies, as viagens que fez, as casas que morou, muitas histórias contadas por seus amigos e familiares.





SAIBA MAIS



Ayrton Senna: os anos pré-McLaren
Em 1988, um novo brasileiro campeão
Em 1989, a maior desilusão da carreira
Em 1990, redenção após acidente de Suzuka
Em 1991, decisão com rival diferente
Um duelo com arrojo e toques de insanidade
Antes de ingressar na Fórmula 1, Senna passou pela Fórmula 3 Inglesa, e conquistou mais um título. Na principal categoria do automobilismo, o tricampeão conquistou 41 vitórias e 65 pole positions, e é considerado um dos maiores pilotos da história da F-1.

Além da competência nas pistas, Senna também ficou conhecido pela generosidade fora delas. Ele iniciou obras filantrópicas que deram origem ao Instituto Ayrton Senna, que hoje atende a cerca de 400 mil crianças e jovens em todo o Brasil. Viviane, sua irmã, toca o projeto desde sua criação.

Sua importância para a Fórmula 1 é resumida em uma declaração de Bernie Ecclestone, chefão da categoria. Segundo ele, Senna foi o maior piloto de todos os tempos, status do qual nem Michael Schumacher se aproxima.
- Ayrton tinha um carisma que Schumacher não foi capaz de transmitir. Fernando Alonso ainda tem tempo para conquistar isso, mas ainda está muito longe de transmitir emoções parecidas às que Senna despertava nas pessoas – disse, em 2007.


 CONFIRA ALGUNS NÚMEROS DA VITORIOSA CARREIRA DE AYRTON SENNA:

Títulos na Fórmula 1: 3 em 1988, 1990, 1991 (todos com McLaren-Honda)
Vitórias: 41
Pole positions: 65
Pontos: 614
GPs disputados: 161
GPs finalizados: 105
Pódios: 80
Voltas na liderança: 2.987
Quilômetros na liderança: 13.676
Total de voltas percorridas: 8.219
Total de quilômetros percorridos: 37.934
Largadas na primeira fila: 87
Vitórias com pole position: 29
Vitórias de ponta a ponta: 19
Voltas mais rápidas: 19
Máximo de poles conseguidas em uma só temporada: 13 (em 1988 e 1989)
Pole positions consecutivas: 8, nos seguintes GPs: Espanha, Austrália, Brasil, San Marino, Mônaco, México e EUA (1988) e Brasil (1989)




No dia 1º de maio deste ano, completou 17 anos que o grande ícone do automobilismo deixou saudades em todos os patriotas brasileiros.

No dia 1° de maio de 1994, o homem amplamente reconhecido como o maior piloto de corridas de todos os tempos chegou a uma curva chamada Tamburello no Grande Prêmio de San Marino, Itália. Seu carro não fez a curva. Projetou-se, a enorme velocidade, de encontro a um muro. Ayrton Senna morreu, deixando o mundo do automobilismo envolto em absoluta tristeza.
Christopher Hilton descreveu o início de carreira de Senna em Ayrton Senna - A face do Gênio. A continuação do livro, The Second Coming, publicada logo antes da corrida de San Marino, mostrava aqueles que seriam os três últimos anos de sua vida, até o início de 1994 e sua transferência da Marlboro McLaren para a equipe Rothmans Willians Renault. Esta edição atualizada completa a história, examinando o acidente fatal e sua repercussão em todo o planeta.
Escrito com afeto, com pensamentos do próprio Senna e comentários de pessoa que trabalharam com ele e disputaram corridas contra ele. Retrata sua crescente maturidade enquanto conquistava o terceiro campeonato mundial; acompanha-o de perto, depois disso, enquanto ele colocava seu intecto formidável e suas enormes habilidades na disputa contra Nigel Mansell e Alain Prost. Alpem disso inclui um estudo único - extremamente pungente, agora - do efeito de Senna sobre suas fãs. Poucos esportistas geraram tamanho impacto.



ACONTECEU ASSIM:


AYRTON SENNA (A MORTE DO HERÓI)

...Depois do acidente com letto. A corrida não chegou a ser interrompida. Pela primeira vez, na Fórmula 1, um safety car foi usado. 23 pilotos remanescentes. No fechamento da quinta volta, o safety car foi para o boxe e a Fórmula 1 prendeu a respiração mais uma vez, àquela altura já sem a convicção de que o domingo ia terminar bem. Schumacher se assustou com o comportamento arisco da Williams de Senna e com as fagulhas que o carro arrancava do piso ondulado, metros à sua frente. No meio da Tamburello, a Williams deu uma violenta balançada antes de seguir direto para o muro. Galvão Bueno, na cabine de transmissão da TV Globo, perdeu o grande amigo no decorrer de uma frase: "Passa rasgando na reta Ayrton Senna. Seis voltas completadas. Aí ele tenta fazer falar mais alto seu motor Renault, em relação ao motor Ford. E a parte de maior velocidade. Eles vão atingir os 330 quilômetros POR HORA!” As duas últimas palavras da frase se tornaram um grito, com visão do impacto. O último susto durou 1s03. A telemetria, velha parceira das vitórias, mostrou que este foi o tempo decorrido entre o instante em que a Williams se desgarrou da trajetória normal, a 307 quilômetros por hora, e o impacto no muro da curva Tamburello. Os dados telemétricos também foram uma prova inquestionável de que, durante aqueles inesperados 13 décimos de segundo de descontrole, ele quis entender e reagir ao que estava acontecendo: aliviou o pé no acelerador, tentou correções no volante, encostou o pé na embreagem e voltou a tocar no acelerador antes de frear violentamente na área de escape e se espatifar no muro, a 216 quilômetros por hora. No instante derradeiro, antes do muro, a telemetria permitiu supor que ele tirou as mãos do volante e tentou se proteger com um gesto instintivo. Não seria exagero imaginar que ele esperava escapar de mais um, depois de dez anos de Fórmula 1 e pelo menos uma dezena de acidentes sérios. Mas um braço da suspensão dianteira direita da Williams, transformado em lança mortal no choque contra o muro, entrou pela viseira, desfigurando seu rosto e destruindo seu cérebro. O velho capacete amarelo, inútil para salvá-lo naquele dia, cumpriu um último papel. Pouparia milhões de pessoas de uma imagem devastadora. A Williams semidestruída ainda se arrastou pela área de escape de concreto, rasgou uma pequena faixa de grama e voltou ao asfalto da Tamburello por alguns décimos de segundo, à frente da Ferrari do amigo Gerhard Berger, antes de voltar ao piso de cimento, como se Ayrton estivesse, enfim, abandonando a prova. Logo depois, a câmera do helicóptero registrou aquele suave balançar de cabeça no cockpit. Intenso momento de esperança para uns. Mensagem do pior para outros. Os primeiros comissários de pista chegaram 20 segundos depois da batida. Nenhum deles teve coragem de se aproximar. Muito menos de debruçar no cockpit, como sempre acontece nos acidentes. As lentes da tevê não mostravam o quadro desolador que eles tinham à frente. O enfermeiro Giuliano Mazzoli, integrante da equipe responsável pelo trecho entre a Tamburello e a Tosa, avisou aos médicos que estavam na torre de controle do circuito: - O estado é grave e ele está inconsciente no cockpit. Natalino Fantoni, um dos bombeiros voluntários de Imola que se aproximaram, já tirara Nelson Piquet, tonto e assustado, do cockpit de outra Williams, em 1987. Também estava por perto quando a Ferrari de Berger batera e virara uma bola de fogo, em 1989. Com Senna, não havia o que fazer. Um dos paramédicos gritou e Natalino ouviu: - Deixa! Não mexe! Ele está morto, está morto! Ao chegar junto ao cockpit da Williams, o chamado anjo da guarda dos pilotos constatou o que chamou oficialmente de "quadro de morte cerebral irreversível": Ayrton estava deformado, tinha fraturas múltiplas e profundas. O sangue abandonava seu corpo rapidamente, em grande quantidade. Em seu livro Life at the limit [A Vida no Limite], Watkins contou: - Senna deu um grande suspiro. Seu rosto estava tranqüilo. Parecia em repouso. Tive ali, no momento em que o socorria, a estranha sensação de que sua alma tinha partido. Optaram por retirar Ayrton do cockpit e fazer a traqueostomia ali mesmo, no chão. Quatro minutos haviam passado desde a batida. Eram ferimentos típicos de motociclistas, não de pilotos de Fórmula 1, na lembrança do anestesista Giovanni Gordini. Ele fazia parte da equipe médica responsável pela assistência ao público, mas, com a gravidade do acidente, fora levado à Tamburello na garupa de uma motoneta. Apenas um dos pilotos viu de perto, e não por vontade própria, aquele esforço para salvar Senna. Quando o helicóptero decolou, levando Ayrton, ainda vivo, para o hospital Maggiore, do meio da reta que levava à curva Villeneuve, 17 minutos e dois segundos depois da batida, os médicos, paramédicos e bombeiros começaram a se dispersar, exaustos e chocados. Um deles, o médico Giuseppe Pezzi, aproximou-se do posto chefiado pelo voluntário Lelio Benetti e desabou, apático, anestesiado pela experiência. Pezzi estava tão arrasado, que não tinha forças ou disposição para limpar o próprio rosto, salpicado de sangue e de pedaços de massa encefálica. Lelio pegou uma garrafa de água mineral, um lenço e limpou cuidadosamente o rosto de Pezzi.
Uma notícia que a gente não gostaria de dar: morreu Ayrton Senna da Silva, 01 DE MAIO DE 1994.



O RELATO DA MÉDICA QUE ATENDEU SENNA NO HOSPITAL MAGGIORE
A médica Maria Teresa Fiandri, foi quem recebeu o piloto quando ele chegou ao hospital Maggiore, em Bolonha, meia hora após o acidente. Ela foi a pessoa que avisou ao mundo, há dez anos, que Ayrton Senna não mais vivia. Foi por suas mãos que ele passou ao chegar ao Hospital Maggiore, 32 minutos depois de bater no muro da curva Tamburello, em Imola, a 35 km dali. Foi de sua boca que saiu, após agonia de quatro horas, a notícia que abalou as estruturas da F-1, chocou o mundo e deixou um país dobrado sobre sua própria dor.
A médica Maria Teresa Fiandri parou de trabalhar no Maggiore em 2001, depois de 36 anos de serviços. Naquele 1º de maio, era a chefe do setor de Anestesia e Reanimação. Como sempre, desde que o circuito passou a receber a F-1, em 1980, fazia parte das equipes que poderiam ser chamadas para atendimento em casos de acidente. Naquele 1º de maio, não precisou esperar o bip chamá-la a qualquer momento. Quando Senna bateu, ela levantou, vestiu o jaleco e estava pronta para sair rumo ao hospital quando o piloto mexeu a cabeça pela última vez.
Fiandri estacionava seu carro no pátio reservado aos médicos do Maggiore quando viu o helicóptero cor-de-laranja se aproximar. Trazia Senna e uma equipe de reanimação que tentava mantê-lo vivo. No helicóptero mesmo ele já havia recebido uma transfusão de 4,5 litros de sangue. Ayrton tinha batido na abertura da sétima volta do GP de San Marino. Seu carro, na entrada da Tamburello, guinou para a direita. Ele freou e reduziu marchas, de acordo com a telemetria. O impacto frontal, às 14h12 locais, aconteceu a 216 km/h. A barra da suspensão dianteira direita voltou-se contra o capacete, penetrou a viseira e atingiu sua cabeça pouco acima do olho direito. Ele morreu na hora. "Da pista, o doutor Gordini já tinha me avisado que havia pouco a fazer."
Mas, como todo médico, Maria Teresa Fiandri fez o possível, mesmo sabendo que o quadro era irreversível. "Do ponto de vista cerebral, já não havia mais atividade imediatamente após a batida. Ele chegou ao hospital com o pulso fraquíssimo, quase sem pressão. Mas, depois, voltou ao normal. Só que não havia mais atividade cerebral, era uma questão de tempo para que ele fosse legalmente considerado morto."
Ela diz ter consciência de que participou de um episódio histórico, mas não revela, no tom de voz suave e tranqüilo, nenhum tipo de emoção especial, não diferente da que provavelmente teria se relatasse outros casos de pacientes que passaram por suas mãos. E guarda, de Senna, uma imagem bem diferente daquela transmitida pelos que viram seu rosto, horas depois do acidente: "Ele chegou a mim pálido, mas belo e sereno".
Ele já havia recebido os primeiros socorros na pista e no helicóptero. Estava pálido, mas belo, sereno... Um jovem bonito, com os cabelos revoltos, os olhos fechados. É a imagem que ela guardou. Tinha um corte na testa, três ou quatro centímetros. Mais nada. Era a única ferida. Chegou ainda de macacão. Mas quando o viramos, vi que tinha muito sangue. E eu me perguntava: "Mas de onde vem tanto sangue?" Saía de trás, da base do crânio. Lembro do macacão, quando lavamos, para devolver à família, tinha tanto sangue... E eu disse à Monica, uma assistente de enfermagem: "Não podemos entregar isso a eles assim". Mas era colocar na água e a água ficar vermelha.


FICOU GRAVADA NA MEMÓRIA DE TODOS, AQUELE SANGUE NA PISTA...

Pelo movimento da cabeça dele, logo após o carro parar de rodopiar, ela concluí na hora que era algo muito grave. Ali ele já entrava em coma, mas o coma é um fenômeno muito estranho. Por isso foi só quando viu o resultado da tomografia foi que ela teve certeza de que não havia nada a fazer, embora o doutor Gordini (Giovanni Gordini, que o atendeu na pista) já tivesse avisado-a que não tinha volta. Foi feito um eletroencefalograma. Já não havia mais atividade elétrica. Quando ele chegou, o pulso estava fraquíssimo e quase sem pressão. Mas antes do eletro, tinha voltado tudo ao normal. Mas quando o eletro foi analisado constatou-se que não havia nada a fazer.
A médica fala sobre o momento em que deu a notícia: "Eu me lembro de seu irmão, não sei se ele tinha noção da gravidade da situação. Eu o levei para ver os resultados dos exames. Expliquei que já não havia mais atividade elétrica. Mas quem assumiu o controle de tudo foi uma moça, que parecia tomar as decisões naquele momento (ela se refere a Betise Assumpção, então assessora de imprensa de Senna, hoje casada com Patrick Head, um dos sócios da Williams)".
Não houve nenhuma chance de sobrevivência quando a equipe médica viu o resultado do eletro. Mas, pela lei ele não estava morto, era preciso esperar o coração parar de bater. Mas não havia nenhuma esperança mesmo. Foi imediata a profundidade do coma na batida.
Nesse dia a dra Fiandri só conseguiu dormir tomando umas 20 gotas de Valium... "Ele era um jovem, um piloto, ele em particular, um pouco herói, carismático. Eu recebi muitas cartas do Brasil, gente me perguntando se ele tinha recuperado a consciência. As pessoas tinham necessidade de saber algo".

 A CHEGADA A SÃO PAULO, O CORTEJO, A EMOÇÃO
O corpo deixou a Itália apenas no fim da tarde de quarta-feira, portanto 3 dias após sua morte, num caixão fechado. Quinta-feira, cinco horas da manhã, o avião da Varig, que que trazia os restos mortais de Ayrton, chega a Guarulhos. O Brasil recebe o corpo do herói com todas as formas de honrá-lo possíveis. Soldados da polícia da aeronáutica carregam o esquife do avião até o solo brasileiro. O corpo é depois transportado por cadetes da Escola da Polícia Militar até o carro de bombeiros que o levaria à Assembleia Legislativa, no bairro do Ibirapuera.
O cortejo, de pouco mais de 30 quilômetros, é acompanhado por cerca de 600 mil pessoas nas ruas de São Paulo, e transmitido pela televisão, para todo o país, e para vários outros países. Na Assembléia Legislativa, o velório têm sessões para a família e amigos pessoais, para pilotos e celebridades e, a mais movimentada de todas, para o povo, fã ardoroso do grande mito e herói popular. Com uma fila de quase oito quilômetros, cerca de 200 mil pessoas prestaram homenagem ao piloto.
O caixão, coberto com a bandeira do Brasil e o capacete de Senna, deixaria o velório na sexta-feira, depois de ser visitado pelos pilotos e ex-pilotos Emerson Fittipaldi, Gerhard Berger, Frank Williams, Ron Dennis, Rubens Barrichello, Roberto Pupo Moreno, Jackie Stewart, Johnny Herbert, Michele Alboreto, Damon Hill, entre outros, além de celebridades, como as ex-namoradas Adriane Galisteu e Xuxa Meneghel, a apresentadora Hebe Camargo, o radialista Osmar Santos e os políticos no poder na época: o prefeito Paulo Maluf, o governador Luis Antônio Fleury e o presidente Itamar Franco.
Depois das salvas de tiros de fuzil e canhão, o corpo de Senna foi levado novamente em um carro de bombeiros para o Cemitério do Morumbi. Os colegas pilotos ajudaram a carregar o caixão para a sepultura. Pouco antes das 13h, Senna era enterrado, não antes da última homenagem: a Esquadrilha da Fumaça desenhava, num céu azul de São Paulo, um coração com o "S" de Senna. O local de sepultura, em meio a um gramado, virou local de peregrinação e culto de brasileiros e estrangeiros que veneram o piloto. Isto ocorreu mais fortemente nos primeiros anos, entretanto até hoje muita gente ainda vai até o local, a cada ano, prestar as merecidas homenagens a alguém ímpar no mundo, e mais ainda em nosso país.

FOTOS DA TRAGÉDIA
O momento do acidente. O carro de Senna acaba de ricochetear ao bater na curva Tamburello. Devido à alta velocidade no momento do acidente - a curva na verdade era mais uma reta nesse ponto - o carro do piloto, mesmo totalmente desmanchado, ainda anda dezenas de metros até parar.
O piloto já está morto - embora oficialmente só iria morrer horas depois no hospital, já que senão a corrida teria que ser encerrada nesse instante - e apenas seu corpo mostra um pequeno espasmo ao desfalecer após a peça da suspensão ter penetrado em seu cérebro no instante do choque.




O estado do carro Williams de Senna, carro com que só disputou três GPs, após a batida. Seu lado direito, o mais afetado, é uma massa disforme do que foi, uns segundos antes, um carro de F-1.
Muito sangue na curva, mostrando que esse acidente não teria outra consequência que não a morte do nosso Senna.
A pista foi totalmente bloqueada, para a descida de um helicóptero, na tentativa de acelerar o atendimento médico ao piloto. O voo do helicóptero foi acompanhado por alguns minutos pelas câmaras de televisão, e foi uma das cenas mais emocionantes e tocantes daquele fatídico domingo.






O cortejo, em carro dos bombeiros, realizado em São Paulo, parou a cidade - além do Brasil todo - e levou às ruas da capital paulista mais de um milhão de ardorosos fãs, que acompanharam seu cortejo pelas maiores avenidas da cidade.
Pela televisão outros milhões de brasileiros, além de fãs em muitos países do mundo, acompanharam esse momento de adoração ao ídolo máximo do automobilismo.







Levando o caixão com o corpo de Senna, seus amigos: Gerhard Berger, Emerson Fittipaldi, Rubens Barrichello e Alain Prost.
Com certeza foi o único enterro de um piloto que trouxe colegas de outros países para dar o adeus final ao ídolo em sua terra natal.
 
A Revista Veja do dia 3 de maio de 1994 noticia:

A MORTE ANTES DA CURVA
Em Ímola, o melhor piloto do mundo acelerou, bateu e morreu
Em 3 de maio de 1994
As imagens ficarão gravadas como um raio na memória dos brasileiros. Na sétima volta do Grande Prêmio de San Marino, no autódromo de ímola, na Itália, Ayrton Senna passa direto pela curva Tamburello, a 300 quilômetros por hora, e espatifa-se no muro de concreto. à 1h40 da tarde, hora do Brasil, um boletim médico do hospital Maggiore de Bolonha, para onde o piloto foi levado de helicóptero, anunciou a morte cerebral de Ayrton Senna. Não havia mais nada a fazer. Ayrton Senna da Silva, 34 anos, tricampeão mundial de Fórmula 1, 41 vitórias em Grandes Prêmios, 65 pole-positions, um dos maiores fenômenos de todos os tempos no automobilismo, estava morto.
Ninguém simboliza melhor a comoção que tomou conto do mundo que a imagem de Alan Prost chorando num dos boxes de ímola. Não era o choro de um torcedor, mas de um rival, o maior de todos em dez anos de brigas dentro e fora das pistas, um alterego de Ayrton Senna na Fórmula 1. Na manhã de domingo, minutos antes de entrar pela última vez no cockpit de sua Williams, Senna encontrou-se com o ex-adversário, deu-lhe um tapinha nas costas e comentou: "Prost, você faz falta". Horas mais tarde, cercado pelos jornalistas, o francês não conseguiu retribuir a gentileza. "Estou consternado demais para falar", limitou-se a dizer, com lágrimas nos olhos.
Foi o triste epílogo de um final de semana em que a morte passeou pelo circuito de ímola. Na sexta-feira, o carro do brasileiro Rubens Barrichello espatifou-se. Barrichello só não morreu porque o choque foi amortecido pelo pneus. Nos treinos de sábado, o carro do austríaco Roland Ratzenberger se desintegrou no muro de concreto depois de passar reto numa curva. O piloto chegou morto ao hospital, vítima de comoção cerebral. Esse foi o quadro de presságios que antecedeu o acidente com Senna. O piloto brasileiro manteve a liderança do Grande Prêmio por exatos 21 minutos. às 9h40, vinte e cinco horas depois da morte de Ratzenberger, a Williams de Senna sumiu repentinamente da pista. "Eu vi a traseira do seu carro bater no solo violentamente", contou Schumacher, que ia colado em Senna na entrada da curva. "Em seguida, ele perdeu completamente o controle".
O Williams era apontado como o melhor carro do mundo e, nesta temporada, tinha também o melhor piloto do mundo. Como foi possível um acidente como esse? O que existe por enquanto são especulações. De todas elas, a mais provável aponta para uma combinação de dois fatores: a pista ruim com um defeito mecânico. Schumacher diz que o carro pulou duas vezes antes de sair da pista. O ex-campeão Niki Lauda afirma que o problema foi mecânico, provavelmente uma quebra na suspensão, mesma opinião do brasileiro Nelson Piquet. Uma outra explicação está nos pneus. Como a corrida estava começando depois de uma parada provocada por um acidente na largada, os pneus ainda não teriam atingido a temperatura e a pressão adequadas para manter o carro na pista. Senna pisou fundo e foi jogado para fora.
O acidente com Ratzenberger, ocorrido na véspera, é mais fácil de explicar porque uma câmara de televisão flagrou o momento em que o carro perdeu o aerofólio dianteiro. Sem essa peça, que pressiona o carro para baixo e o mantém firme na pista, Ratzenberger voou direto de encontro ao muro. É possível que algo assim tenha ocorrido com Senna. Na tarde de segunda-feira, uma análise em câmara lenta feita pela televisão francesa mostrava que antes de sair da pista o carro do piloto brasileiro teria perdido uma peça, não identificada pela TV. "O problema é que ímola é uma pista tão rápida que não dá tempo de reagir a qualquer falha", diz Niki Lauda. "A menos que você ponha o muro a 200 metros da pista". Na pista atual a distância entre a faixa de asfalto e o muro é de menos de dez metros. "É óbvio que houve uma falha mecânica", diz Alain Prost. "O carros estão muito perigosos porque estão mais difíceis de dirigir".
A opinião de Prost pode não explicar o acidente, mas ajuda a entender o dilema atual da Fórmula 1. O Williams-Renault foi o melhor carro nas duas últimas temporadas porque, além de ser o mais veloz, era também o que tinha os controles mais eficientes. Engatava as marchas na hora certa e compensava as falhas na pista com a chamada suspensão ativa, cuja tarefa é impedir que a trepidação desestabilize o carro. Agora, não. O carro continua veloz, mas o piloto é quem tem de fazer tudo sozinho. A falta da suspensão ativa tornou o carro instável demais. O próprio Senna havia apontado esse problema num artigo de jornal antes do Grande Prêmio Brasil. "Os carros estão rápidos demais e difíceis de controlar", escreveu Senna. "O novo regulamento é uma arma contra os pilotos".
Um outro problema são as paradas no boxe. Este ano tornou-se obrigatório o reabastecimento e as trocas de pneus. Depois do acidente com Senna, um carro atropelou um mecânico da Ferrari na saída dos boxes depois da troca de pneus. Na segunda-feira, a Federação Internacional de Automobilismo (Fisa) convocou uma reunião de emergência em Paris, onde se iria discutir a colocação de um limite de velocidade para a entrada nos boxes - uma ironia em se tratando de um esporte onde vence o mais veloz.
A dimensão da tragédia com Ayrton Senna pode ser avaliada pelos estragos dentro e fora do carro. No local do impacto, o muro de concreto ficou marcado com as cores azuis do Williams. O chão ao lado do carro destruído ficou marcado por uma larga poça de sangue. O capacete do piloto rachou de cima abaixo no lado de direito, o que sugere que ele bateu com a cabeça no muro. O rosto ficou inteiramente destruido. Toda a parte frontal sofreu um afundamento de tal ordem que tornou impossível qualquer intervenção cirúrgica.
Em coma e já com uma parada cardíaca, o piloto ainda recebeu quatro litros e meio de sangue no trajeto do autódromo até o hospital. Isso equivale a 80% de todo o sangue que circula no corpo humano e dá a idéia exata da gravidade do seu quadro. O primeiro boletim médico, às 10 horas, falava em perda de sangue e múltiplas fraturas no crânio. O segundo, uma hora mais tarde, era ainda mais desanimador. Noticiava-se "coma grave", "fortes hemorragias" e "grave traumatismo craniano". Do hospital Maggiore, o corpo de Ayrton Senna foi levado para o Instituto Médico Legal de Bologna, de onde seria transportado para o Brasil num caixão selado. Na segunda-feira, o promotor Maurizio Passarine interditou o autódromo e abriu um processo contra os organizadores. O carro e o capacete também foram apreendidos pela Justiça italiana.
A notícia da morte de Senna deixou os pilotos desolados. Schumacher, o vencedor da corrida - a terceira na atual temporada -, deixou o pódio e foi chorar nos boxes. O austríaco Gerard Berger, companheiro de equipe de Ayrton Senna na temporada do ano passado na MacLaren e personagem de um pavoroso acidente em Imola há cinco anos, levou um choque ao saber da notícia. "Não sei como vou voltar às pistas depois disso", afirmou. Em Buenos Aires, Juan Manuel Fangio, 82 anos, a maior legenda de todos os tempos do automobilismo, sentiu-se mal ao ouvir a notícia pelo rádio. "Não, isso não pode ter acontecido", foi sua primeira reação. Mais tarde, em uma nota divulgada pela família, Fangio declarou: "O mundo perdeu um dos maiores pilotos e eu perdi um grande amigo. Compartilho com os brasileiros esse momento de dor". 
Há doze anos, a Fórmula 1 não vivia momentos tão terríveis. Durante mais de uma década, o circo mais veloz do mundo viveu tranqüilamente sua existência milionária. O último piloto a morrer durante uma corrida tinha sido Ricardo Palleti, na largada do Grande Prêmio do Canadá, em 13 de junho de 1982. Imaginava-se que depois de tanto tempo e tantas mudanças nas regras e na tecnologia de construção dos carros, a Fórmula 1, embora continuasse a ter acidentes espetaculares, não fosse mais o picadeiro mortal dos anos 70, em que um em cada sete pilotos morreram em ação. As mortes de Senna e Ratzenberger reavivaram a verdade sobre um esporte fascinante mas cruel, onde se ganha muito dinheiro em troca altos riscos. "É preciso que se diga uma coisa: a Fórmula 1 é um esporte extremamente perigoso e não depende da habilidade do piloto evitar acidentes", disse o ex-campeão Nikki Lauda, ele próprio vítima de um acidente. "Senna era o melhor piloto de todos os tempos. Ele sabia tudo".

RADIOGRAFIA DA MORTE
Imagine um pêndulo de aço de 50 quilos martelando numa campana com a espessura e a resistência de uma casca de ovo. Essa é a imagem apropriada para descrever como se movimentou o cérebro de Ayrton Senna na hora do choque de sua Williams contra o muro de concreto. É assim que se comportou a massa encefálica do piloto, com seu peso multiplicado por 100 no momento da colisão, batendo violentamente contra a caixa craniana. Esses sucessivos choques internos foram causados por um fenômeno chamado desaceleração súbita. Ele ocorre quando um determinado objeto em altíssima velocidade, no caso da Williams-Renault a cerca de 300 quilômetros por hora, encontra pela frente um objeto estático, o muro de concreto. O resultado é devastador do ponto de vista clínico.
"As camadas do cérebro deslizam umas sobre as outras, guilhotinando os axônios, espécie de fios que fazem as ligações nervosas da cabeça com todo o corpo", diz o médico Luiz Alcidez Manreza, diretor do serviço de emergência neurológica do Hospital das Clínicas de São Paulo. "Esse tipo de lesão cerebral é a principal causa de morte instantânea em traumatismos de crânio." Nesses casos, 60% das vítimas morrem. Na melhor das hipóteses, essas lesões neurológicas deixam graves seqüelas, ou o sobrevivente vira um vegetal. Dramatizando ainda mais a comparação, o badalo em questão, o cérebro de Senna, não era um corpo de metal como o abrigado num sino de verdade. O cérebro humano é formado por um tecido frágil, pouco mais consistente que um pudim.
Bastariam essas lesões, causadas pela desaceleração, para matar Ayrton Senna. Mas não foi só isso. A cabeça do piloto foi muito mais afetada do que fazem crer as imagens na televisão. Pernas, tórax, abdômen e coluna cervical, as partes do corpo mais propensas a sofrer o impacto de acidentes na Fórmula 1, saíram ilesas do desastre de Senna. A explicação é que essa região do corpo estava bem resguardada pelo cockpit, a cápsula quase indestrutível de fibra de carbono que abriga o piloto. Sem essa proteção, a cabeça bateu contra o muro de concreto. Uma testemunha, que viu o corpo de Senna antes de o caixão ser lacrado, conta que sua cabeça estava toda arrebentada. Ele sofreu um afundamento na testa e fraturas múltiplas na base do crânio, que provocaram hemorragias e edemas nessa região. Sua cabeça foi, portanto, alvo de dois tipos de traumatimo: o mais interno, a nível nervoso, causado pela desaceleração de velocidade, e o mais superficial, resultado da colisão direta de sua cabeça na parede.
Num caso tão grave assim, nem o melhor resgate médico do mundo seria capaz de fazer milagres. Não havia o que fazer, do ponto de vista médico. Ainda assim, o trabalho executado pela equipe médica de San Marino, embora correto, demorou mais do que o normal. Os bombeiros até que chegaram rápido ao local do acidente, cerca de vinte segundos depois da batida, e não entraram em ação porque não havia risco de fogo na Williams. Mas o serviço ambulatorial se atrasou. Os médicos da equipe de socorro do Grande Prêmio de San Marino só começaram o atendimento de Senna um minuto e quarenta segundos após o acidente. "Demoraram uma eternidade", diz o neurocirurgião Hélio Laterman, ex-chefe da equipe de socorro nos Grandes Prêmios de Jacarepaguá de 1985 e 1986, no Rio de Janeiro. "Aqui no Brasil em trinta segundos já chegamos com o socorro médico ao local de um acidente", diz o médico Jorge Pagura, chefe do atendimento neurológico nas corridas de Fórmula 1 disputadas em São Paulo.
O salvamento de Senna se deu no limite do aceitável, beirando a negligência. Dois minutos e meio depois da batida, ele foi retirado de sua Williams e, noventa segundos mais tarde, sofreu uma traqueostomia em plena pista - uma abertura em sua traquéia para que o piloto pudesse respirar. A boca e o nariz estavam bloqueados pelo sangue. O helicóptero que levou o piloto para o Hospital Maggiore de Bolonha decolou dezessete minutos depois da batida. Mas já era tarde. Os médicos italianos decretaram sua morte cerebral às 13h40 de domingo, horário de Brasília. Quarenta minutos mais tarde, o coração de Ayrton, que ainda batia com auxílio de aparelhos, parou.

Um comentário:

  1. Ô época maravilhosa!!!! Deveria dar gosto de assistir a F-1, torcer e vibrar junto com o Senna. Pena que agora, a maioria da juventude é obrigada a buscar ídolos fora. Rubinho e Massa?? Eu torço mesmo pelo Alonso.
    ***Ayrton Senna não deixou simples saudades, deixou um buraco imenso no sentimento nacionalista brasileiro.

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