Pages

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

QUEM É O ANIMAL?


Há muito se questiona a causa de tanta violência, hostilidade e crueldade neste Mundo Moderno.
O vídeo que segue responde parte destes questionamentos uma vez que, como somos produtos do meio e aprendemos aquilo que vimos, pergunto-me: “A criança que presencia cenas como a que o vídeo mostra, pode se tornar um cidadão pacato?”, “Que tipo de educação essa senhora pretende dar a seu filho?”
Falando do animal espancado, “Que mal tão grande o pobre desse cachorro fez a essa senhora?”, “Por que maltratar um ser que não pode se defender?”, “Se essa senhora fosse espancada pelo marido, o que justiça faria...
Vejam o vídeo e reflitam: “Quem é o animal?”
O CACHORRO É MAIS RACIONAL DO QUE ELA




ELA DEVIA APRENDER COM ELES

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Uma das coisas que eu acho fascinante em Jesus, é a capacidade que ele tinha de encontrar no meio da multidão, pessoas.
Ele era capaz de reconhecer em cima de uma árvore um homem, e descobrir nele um amigo.
Bonito uma amizade que nasce a partir da precariedade, quando você chega desprevenido, o outro viu o que você tem de pior, e mesmo assim, ele se apaixonou por você. Amor concreto, cotidiano, diário.
Jesus se apaixonava assim pelas pessoas e as tornava suas amigas. As trazia para perto Dele.
É fascinante olhar para a capacidade que esse homem, que esse Deus tem, de investigar a miséria do outro e encontrar a pedra preciosa que está escondida. Isso é Páscoa, isso é ressurreição. É quando no sepulcro do nosso coração, alguém descobre um fio de vida, e ao puxar esse fio, vai fazendo com que a gente se torne melhor.
Não há nada mais bonito do que você ser achado quando você está perdido.
Não há nada mais bonito do que você ser encontrado, no momento que você não sabe para onde ir e não sabe nem onde está...
O amor humano tem a capacidade de ser o amor de Deus na nossa vida por causa disso: porque ele nos elege!
Por isso que é bom termos amigos, porque na verdade, as pessoas amigas antecipam no tempo, aquilo que acreditamos ser eterno...
Quando elas são capazes de olhar para nós e descobrir o que temos de bonito. Mesmo que isso, as vezes costuma ficar escondido por trás daquilo que é precário.
Por isso agradeço muito a Deus pelos amigos que tenho. Pelas pessoas que descobriram no que eu tenho de pior, uma coisinha que eu tenho de bom, e mesmo assim continuam ao meu lado, me ajudando a ser gente, me ajudando a ser mais de Deus, ajudando a buscar dentro de mim, a essência boa que acreditamos que Deus colocou em cada um de nós.
Ter amigos, é como arvorear: lançar galhos, lançar raízes... Para que o outro quando olhar a árvore, saiba que nós estamos ali...Que nós permanecemos para fazer sombra, para trazer ao outro, um pouco de aconchego que ás vezes ele precisa na vida...

ARVOREIE! CRIE ÁRVORES! SEJA AMIGO
... A sua maneira de ser para mim
Já poda o que há de ruim
A minha vontade é de ser para você
Feito sombra, descanso sem fim.
E se algum dia esquecer de mim
Só se lembre que eu tenho raiz
Só se lembre que estou por aqui...
Pe. Fábio de Melo

domingo, 11 de dezembro de 2011

PREFÁCIO DAS INFÂNCIAS

Descobri Manuel de Barros faz poucos meses. Mas em alguns minutos percebi que aquele seria um dos meus autores preferidos. Ele tem a genialidade na simplicidade. Mas é assustador o quão pouco existe do poeta na internet e nas livrarias. Consegui a obra completa através de uma editora portuguesa, então dá pra imaginar o descaso. Isso muito se deve ao próprio autor que foge da mídia como bicho arisco. 
Penso que os autores não devem ser lidos e admirados apenas depois de morrer. Acontece muito isso no Brasil e para, ao menos, dar uma ideia da genialidade do autor, resolvi publicar pausadamente suas "autobiografias poéticas" chamadas de A Infância, Segunda e Terceira infância. São livros de maturidade, onde Manuel consegue uma síntese expressiva "doloridamente" bela, como ele poderia dizer. Segue o prefácio das três infâncias:

Manuel de Barros


MEMÓRIAS INVENTADAS - A INFÂNCIA

Tudo que não invento é falso.

Eu tenho um ermo enorme dentro do olho. Por motivo do ermo não fui um menino peralta. Agora tenho saudade do que não fui. Acho que o que faço agora é o que não pude fazer na infância. Faço outro tipo de peraltagem. Quando era criança eu deveria pular muro do vizinho para catar goiaba. Mas não havia vizinho. Em vez de peraltagem eu fazia solidão. Brincava de fingir que pedra era lagarto. Que lata era navio. Que sabugo era um serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto.
Cresci brincando no chão, entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos. Eu tinha mais comunhão com as coisas que comparação.
Porque se a gente fala a partir de ser criança, a gente faz comunhão: de um orvalho e sua aranha, de uma tarde e suas garças, de um pássaro e sua árvore. Então eu trago das minhas raízes crianceiras a visão comungante e oblíqua das coisas. Eu sei dizer sem puder que o escuro me ilumina. É um paradoxo que ajuda a poesia e que eu falo sem pudor. Eu tenho que essa visão oblíqua das coisas vem de eu ter sido criança em algum lugar perdido onde havia transfusão da natureza e comunhão com ela. Era o menino e os bichinhos. Era o menino e o sol. O menino e o rio. Era o menino e as árvores.

Manuel de Barros




A INFÂNCIA - CABELUDINHO

Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apresentou aos amigos:
Este é meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu. Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição deslocada me fantasiava de ateu.
Como quem dissesse no Carnaval: aquele menino está fantasiado de palhaço. Minha avó entendia de regências verbais. Ela falava sério.
Mas todo-mundo riu. Porque aquela preposição deslocada podia fazer de uma informação um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza nas palavras é uma solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir. De outra feita, no meio da pelada um menino gritou: Disilimina esse, Cabeludinho. Eu não disiliminei ninguém. Mas aquele verbo novo trouxe um perfume de poesia à nossa quadra. Aprendi nessas férias a brincar de palavras mais do que trabalhar com elas. Comecei a não gostar de palavra engavetada. Aquela que não pode mudar de lugar.
Aprendi a gostar mais das palavras pelo que elas entoam do que pelo que elas informam. Por depois ouvi um vaqueiro a cantar com saudade:
Ai morena, não me escreve / que eu não sei a ler. Aquele a preposto ao verbo ler, ao meu ouvir, ampliava a solidão do vaqueiro.

Manuel de Barros

A INFÂNCIA - O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS

Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

Manuel de Barros

A INFÂNCIA – DESOBJETO

O menino que era esquerdo viu no meio do quintal um pente.
O pente estava próximo de não ser mais um pente. Estaria mais perto de ser uma folha dentada. Dentada um tanto que já se havia incluído no chão que nem uma pedra um caramujo um sapo. Era alguma coisa nova o pente. O chão teria comido logo um pouco de seus dentes.
Camadas de areia e formigas roeram seu organismo. Se é que um pente tem organismo.
O fato é que o pente estava sem costela. Não se poderia mais dizer se aquela coisa fora um pente ou um leque. As cores a chifre de que fora feito o pente deram lugar a um esverdeado a musgo. Acho que os bichos do lugar mijavam muito naquele desobjeto. O fato é que o pente perdera a sua personalidade. Estava encostada às raízes de uma árvore e não servia mais nem para pentear macaco. O menino que era esquerdo e tinha cacoete pra poeta, justamente ele enxergava o pente naquele estado terminal. E o menino deu para imaginar que o pente, naquele estado, já estaria incorporado à natureza como um rio, um osso, um lagarto. Eu acho que as árvores colaboravam na solidão daquele pente.

Manuel de Barros

UMA FOLHA DE RELVA

Brian Patten
TRADUÇÃO: Ricardo Cabús

Você pede um poema.
Eu ofereço uma folha de relva.
Você diz que não é suficiente.
Você pede um poema.

Eu digo que esta folha de relva será.
Ela veste-se em gelo,
Ela é mais direta
Que qualquer imagem eu faça.

Você diz que ela não é um poema,
É uma folha de relva e relva
Não é suficiente.
Eu ofereço uma folha de relva.

Você está indignada.
Você diz que é muito fácil oferecer relva.
É um absurdo.
Qualquer um pode oferecer uma folha de relva.

Você pede um poema.
E então eu escrevo uma tragédia sobre
Como uma folha de relva
Torna-se mais e mais difícil de oferecer,

E sobre como quando você envelhece
Uma folha de relva
Torna-se mais difícil de aceitar.


FONTE:
Esta é uma mensagem do Papel no Varal
email: papelnovaral@gmail.com contato@lumeeiro.org
Blog:
http://cacosinconexos.blogspot.com
Twitter: @papelnovaral e @ricardocabus
Para sair do grupo: envie email com o assunto REMOVER para papelnovaral@gmail.com
Mais opções em:
http://groups.google.com/group/papelnovaral?hl=pt-BR

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

MOMENTO NUM CAFÉ

Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.

Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta.

BANDEIRA, Manuel. Momento num café.
 In: Antologia poética. 7. ed. Rio de Janeiro,
José Olympio, 1974. p. 103.

domingo, 4 de dezembro de 2011

A GAIOLA

E era a gaiola e era a vida era a gaiola
e era o muro a cerca e o preconceito
e era o filho a família e a aliança
e era  a grade a filha e era o conceito
e era o relógio horário o apontamento
e era o estatuto a lei e o mandamento
e a tabuleta dizendo é proibido.

E era a vida era o mundo e era a gaiola
e era a casa o nome a vestimenta
e era o imposto o aluguel a ferramenta
e era o orgulho e o coração fechado
e o sentimento trancado a cadeado.
E era o amor e o desamor e o medo de magoar
E eram os laços e o sinal de não passar.
E era a vida era a vida o mundo e a gaiola
e era a vida e a vida era a gaiola.

(Maria do Carmo B. C. de Melo)